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sábado, 4 de dezembro de 2010

A Febre do Ano


 Os jovens adolescentes apaixonados e alucinados pelo novo rock colorido, que tem 50.000 vendas do CD e agora está internacionalmente conhecido.



Cabelo jogado no rosto, com franjas grandes e penteados exóticos, calças coloridas e blusas com gola “V” maior que o normal, óculos grandes copiando modelos antigos é o que se vê na maioria dos jovens de hoje.

Banda Restart é a pioneira de todas essas atitudes, é ela que usa todas essas roupas e faz com que todos esses jovens a copiem, pensam que vão ficar igual, famosos, ganhando dinheiro e principalmente, a fama. “As cores têm a ver com o astral do nosso som”, explica Pelu, 19 anos, guitarra e vocal do Restart. “Você encontra meninos e meninas de calça amarela e roxa não só nos nossos shows, mas também nos do NX Zero e da Fresno”, completa Pelu. Tudo isso, influencia ainda, as lojas e grifes que mais vendem hoje em dia. Para conseguir vender mais e fazer mais sucesso, elas se aproveitam dessa moda e dessa disposição dos jovens para comprar essas peças e se tornarem cada vez mais parecidos com os integrantes da banda.

Mas tudo isso não passa de loucura e fascinação desses adolescentes que não sabem o que fazem, que agem por impulso. Dormir na fila de entrada e de compra de ingresso pra um show dessa banda é o que essas pessoas fazem, viajam para outras cidades, outros estados para verem um show, ao qual já viram em sua cidade, mas não ficam satisfeitos, querem ir a todos e além de tudo, “tirar onda” com os outros que não foram.

Fazem sucesso, em sua grande maioria, somente com esses jovens de pouca idade. Hoje, essa banda está mais famosa. Acabou de fazer sua primeira viagem internacional, indo para Argentina e Uruguai para lançar o CD em espanhol. Também vão lançar um filme sobre a banda em 2011, lançaram agora um álbum de figurinhas. Essa banda começa a ser idealizada pelos fãs, como artistas perfeitos, que fazem muito sucesso, que cantam muito, que são o novo sucesso do país e que representam o rock brasileiro. São meros jovens que viraram moda, estão se aproveitando, claro, do dinheiro que conseguem ganhar nesse tempo, porque além de terem outras bandas parecidas como concorrentes, que usam as mesmas roupas, tem o mesmo estilo e cantam as mesmas músicas.

Esses integrantes, Pe Lanza, Pedro Lucas, Koba e Thomas, ganharam todos os prêmios para todas as indicações do VMB 2010 e do Prêmio Multishow de Música Brasileira. Com certeza, se fazem sucesso é porque têm talento, mas na realidade, têm que aprofundar mais, fazer com que os outros os reconheçam cada vez mais e foquem em outros públicos, dando mais maturidade para suas músicas e fazendo um rock que representasse de verdade o país em que vivem.

Flávia Reis

Problemas com o ENEM é só um reflexo da nossa realidade


Desde sua criação, o ENEM vem sendo criticado por vários fatores, sejam eles de mérito ou de injustiça ao premiarem com 10%, alunos que se declarem negros. No ano de 2009, a imagem do ENEM que já era ruim ficou pior, pois questões da prova foram compradas por jornalistas de funcionários de gráfica onde se dava a impressão da prova.

Como já é sabido, a educação pública no Brasil é muito precária e deficiente, o que já torna o ENEM uma prova desigual e que não irá solucionar nenhum problema dessa ordem, pois os melhores irão continuar passando com tranqüilidade. A partir deste ano, a maioria das universidades federais adotaram o ENEM com prova classificatória pra o ingresso na faculdade, com o intuito de receberem verba do governo federal e ajudar os estudantes de escola pública.

Em novembro, a prova foi aplicada a estudantes de todo o país e logo se constatou que o cabeçalho estava invertido e algumas provas estavam com questões dobradas ou sem elas. Com isso, a credibilidade do ENEM que já era baixa, ficou mais ainda, o que torna essa prova e esse método ainda mais questionáveis pelo fato de não serem confiáveis. Além disso, todos os órgãos de educação no Brasil perdem confiança e serão sempre motivo de dúvidas e de reclamações.

Essas provas deveriam ser feitas duas vezes ao ano para diminuir o número de candidatos fazendo a prova de uma só vez, facilitando uma possível conferência nos pacotes de prova e dar uma segunda chance aos candidatos que não se saíram bem na primeira aplicação. O Inep deveria também  contar com uma melhor equipe de elaboração das provas para que não ocorra questões que tenham resposta errada ou que não tenham resposta, como já ocorreu diversas vezes.Todas essas medidas darão confiança ao aluno na hora da prova, eliminarão possíveis dúvidas do aluno e darão credibilidade aos órgãos de educação.

Henrique Alves

Guerra no Rio de Janeiro


Enquanto a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 se aproximam, o governo faz de tudo para combater a violência.
Novo modelo de Segurança Pública e de policiamento, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs)trabalham desde 2008 para promover a aproximação entre a população e a polícia. Por meio da recuperação de territórios perdidos para o tráfico, o objetivo da polícia é levar inclusão social à parcela mais carente dos cidadãos.
         Criadas pela atual gestão da Secretaria de Estado de Segurança, comandada pelo gaúcho José Mariano Beltrame, as UPPs foram implantadas após a retirada gradativa dos traficantes dos morros-chave. Atualmente, 13 unidades respondem por mais de 30 favelas.
Maior conjunto de favelas do Rio, com 120000 habitantes, o Complexo do Alemão reúne cerca de 1500 bandidos armados com 300 fuzis. Pelo arsenal bélico, pela dimensão e por sua geografia intricada, com um conjunto de morros entrecortados por centenas de vielas labirintecas, o lugar impõe á polícia um grau de dificuldade maior do que qualquer outro na cidade.
         Ninguém de bom-senso discorda de que a iniciativa de libertar territórios controlados por criminosos seja um avanço e tanto.A experiência internacional mostra que eliminar a presença traficantes armados, que impõe suas regras na base de coerção e da violência,é o primeiro movimento a ser feito no combate ao crime organizado. Nas colombianas Bogotá,Medelín e Cali, essa estratégia funcionou bem. As UPPs seguiram o modelo da Colômbia, mas guardam uma diferença em relação a ele. Nas cidades daquele país,os quartéis-generais dos chefões do tráfico foram tomados logo nas primeiras operações,a partir de 2002, e os criminosos acabaram presos. No Rio,as principais trincheiras dos facíonoras intocadas, enquanto o estado empreendia a ocupação de favelas menores e periféricas no mercado de entorpecentes. Com isso,os chefões seguiram fazendo negócios-agora auxiliados pelos bandidos das favelas tomadas que se refugiaram em seus domínios. Para se ter uma idéia, sono último ano, o numero de criminosos alojados no Complexo do Alemão triplicou.
          Por volta do meio dia de domingo (21), seis bandidos armados com fuzis e granadas incendiaram dois carros na Linha Vermelha e abriram fogo contra um veículo da Aeronáutica dando início a uma sucessão de crimes na capital fluminense. Após mais de 24 horas de silêncio, os criminosos voltaram a atacar. Desta vez, ocupantes de dois veículos passaram em alta velocidade disparando rajadas de tiros contra uma cabine da Polícia Militar no subúrbio da cidade, na noite de segunda-feira (22). Além do atentado, dois carros foram roubados e outros dois foram incendiados durante um arrastão na Rodovia Presidente Dutra. Felizmente, até então, não houve mortos ou feridos.
Como reação à onda de crimes, na terça-feira (23) policiais militares realizaram operações em cerca de 20 favelas cariocas, que assustaram moradores e resultaram na prisão de oito homens e na morte de outros dois. Mesmo com o reforço na segurança, pelo menos três ônibus e nove carros foram incendiados entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feira (24) em diferentes pontos do Estado.
Com o aumento da violência, 15 suspeitos haviam sido mortos até a quarta-feira. Outros 31 foram presos e dois policiais ficaram feridos nas operações realizadas em 27 favelas cariocas. No fim da noite, a soma de veículos incendiados chegava a 28, o que levou o governador do Estado, Sérgio Cabral, a pedir apoio logístico à Marinha brasileira.Na quinta-feira (25), as equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) iniciaram uma megaoperação na Vila Cruzeiro, na Penha, com o apoio de seis veículos blindados da Marinha. Devidos à operação, escolas e creches suspenderam as aulas.
Durante a tarde, os policiais tomaram o controle do local enquanto suspeitos fugiram correndo com destino ao Complexo do Alemão. O dia foi o mais violento desde o início das ações. Foram 25 mortes e 31 ataques a veículos.
No Paraná, a Polícia dava outro passo na tentativa de conter os ataques com a transferência de 13 presos que deixaram a Penitenciária Federal de Catanduvas e foram encaminhados para a unidade federal de Porto Velho, em Rondônia. Entre eles, estavam Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, Jorge Edson Firmino de Jesus, o My Thor, e o Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, acusado de matar o jornalista Tim Lopes, em 2002.
Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, traficante transferido para Rondônia, é homônimo de um Marcinho VP mais famoso e mais importante, Márcio Amaro de Oliveira, que inspirou o livro "Abusado" e morreu em 2003.
Na sexta-feira, policiais do Bope fizeram buscas dentro da Vila Cruzeiro, na Zona Norte com a ajuda de 300 agentes da Polícia Federal e 800 homens do Exército, que se juntaram às equipes. O dia foi marcado pela troca de tiros com traficantes escondidos em cima do morro, que também dispararam contra um helicóptero da polícia que sobrevoava o local.
À tarde, 21 agentes com atuação no RS partiram para o Rio para integrar as missões policiais. Em outro ponto, na favela da Grota, no Complexo do Alemão, ocorreu um intenso tiroteio entre policiais e criminosos. Ao fim do dia, a soma de mortos desde a segunda-feira chegava a 35.A madrugada de sábado (27) foi considerada a mais calma desde o início da onda de violência. Cinco carros foram incendiados em Nova Iguaçu e Baixada Fluminense.Pela manha houve troca de tiros.Durante o dia, os bandidos ignoraram o ultimato dado pela Polícia e seguiram atirando contra as barreiras. Militares armados apoiados por tanques com metralhadoras e helicópteros cercaram o conjunto de favelas, mas, até as 23h, as tropas ainda não haviam recebido ordem para invadir o morro.No domingo (28), após uma madrugada de clima aparentemente tranquilo, o Complexo do Alemão começou a ser ocupado às 7h59min. O cerco incluiu 800 solados paraquedistas, a tropa de elite do Exército, 200 fuzileiros navais, 300 agentes da polícia federal e 1,3 mil policiais. Cerca de uma hora e meia depois do início da operação, o morro foi tomado pela policia.. Muitos fuzis deixados por traficantes em fuga foram encontrados e cerca de 20 pessoas foram presas, incluindo Elizeu Felício de Souza, conhecido como Zeu, um dos condenados por participar da morte do jornalista Tim Lopes, da TV Globo. Além das prisões, foram apreendidas 40 toneladas de maconha.Na primeira manhã de ocupação policial no Complexo do Alemão, o clima era de aparente tranquilidade e o comércio voltou a abrir as portas. As buscas continuaram em diferentes pontos do conjunto de favelas.
Um grupo de moradores se revoltou com a falta de água, luz e recolhimento de lixo no local. Outros reclamaram das batidas policiais realizadas em domicílios, que tiveram portas arrombadas, objetos pessoais revirados e foram vítimas de saques.
          Em busca de traficantes que fugiram, a polícia do Rio de Janeiro desencadeou uma série de operações em favelas da cidade.
Após uma semana de operações, que resultaram na ocupação policial do Complexo do Alemão, os moradores do conjunto de favelas tentam retomar a rotina, mas enfrentam problemas como a falta de luz, água e recolhimento de lixo, além das batidas policiais nas residências.
É preciso descer de uma vez por todas a mão de ferro do estado sobre o crime organizado.A imagem dos bandidos fugindo atordoados é mostra de que talvez
eles tenham começado a desorganizar-se.O bem  tem tudo para vencer o mal.

 Policiais do Bope em combate com os traficantes


 Ônibus pegando fogo na zona norte


Bibliografia:
http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a3125822.xml
Revista Veja_ediçao 2193_ ano 43 _ numero 48_ 1 de dezembro de 2010

Rafaela Pires