Páginas

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A tragédia eleitoral brasileira

No dia das eleições de 2010 estava indo votar com minha mãe, pensando seriamente no futuro do país que seria decidido naquele dia.

Quando cheguei em casa e comecei a ver a apuração de votos fiquei muito surpresa com o fato de o candidato a deputado federal com mais votos ser um analfabeto, comediante e que não entende nada de política.

Indignada, comecei a me perguntar como uma pessoa sem conhecimento algum e sem comprometimento com o progresso do país pode ter sido eleita.

Esse fato estava sendo discutido no país inteiro, a mídia sempre emitia comentários a respeito. Só depois eu percebi que sempre tendemos a votar em pessoas semelhantes a nós mesmos. Se a maior parte da população brasileira é analfabeta é claro que nada mais apropriado que um palhaço analfabeto para representá-la.

Hoje, isso já foi esquecido e só me resta conformar com o inevitável: a futura bancarrota do país.


Ana Luíza Trindade

Urnas em feriado prolongado

Eleger aquele que governará seu estado e seu país, aquele que tomará as decisões mais importantes nos próximos quatro anos é uma tarefa difícil e que requer grande responsabilidade. Porém, as eleições de 2010 não mostraram a responsabilidade do povo, e sim, refletiram um quadro de desinteresse com a política nacional e falta de conscientização.

As eleições do segundo turno de 2010, que se realizaram no dia 31 de outubro, definiram o presidente da República e os governadores de alguns estados. Mesmo com tamanha importância, essas eleições registraram o maior índice de abstenções, 21,5%. Esse dado reforça ainda mais o fato de que os brasileiros não estão se esforçando nem tomando atitudes para mudar o quadro político do país, já que o voto é a forma mais democrática e expressiva que o povo tem de alcançar seus objetivos e não a utiliza.

Dizer que esse recorde no número de abstenções se deve ao feriado que ocorreu no país só piora a situação, só demonstra que o compromisso do povo com a política e com a sociedade fica sempre em segundo plano e não pode atrapalhar a viagem de fim de semana.

Essa falta de responsabilidade e de mobilização não fica marcada somente nos dias das eleições e nos seus dados estatísticos. Ficará marcada durante todos os anos de governo dos candidatos que essas pessoas descompromissadas elegeram. Portanto, os atos corruptos, roubos, desvios de verba, as obras não concluídas, as promessas não cumpridas são reflexo dessa falta de conscientização política da maioria dos brasileiros. Assim, votar só por votar pode ter péssimas conseqüências para a nossa democracia.

Juliana Estanislau